A vigilância espacial revelou novos fenómenos extremos em mar aberto que podem significar uma mudança na nossa perceção do oceano A deteção de ondas gigantes de 35 metros no Oceano Pacífico obriga a reavaliar a segurança marítima Os avanços na monitorização sideral permitiram identificar ondas gigantes de até 35 metros no Oceano Pacífico, um fenómeno raro que ocorre longe da costa e fora do alcance da observação humana direta.
Um velho conto tornado realidade
Ao longo dos séculos, muitas lendas retrataram o Oceano Pacífico como o mais misterioso dos mares. Frequentemente descrita como vasta e calma, esta massa de água esconde segredos que agora os satélites interestelares foram capazes de revelar. As imagens captadas fora da atmosfera confirmam as antigas lendas dos marinheiros: a formação de ondas com mais de 35 metros de altura, equivalentes ao comprimento de um edifício de dez andares.
No passado, as ondas extremas eram apenas uma teoria ou, na melhor das hipóteses, alguns relatos de navios que sofreram danos. Um fenómeno que, até agora, era considerado uma velha lenda dos marinheiros. No entanto, hoje, graças aos satélites que medem as mudanças na superfície do mar, os investigadores estão a revelar padrões antes improváveis.

Uma onda que quebra todos os padrões
O evento foi registrado numa noite de dezembro entre o Havaí e as Ilhas Aleutas, revelando a magnitude dessas ondas. Longe da vista humana, os satélites SWOT, Jason-3 e Sentinel-3 detectaram um pico que se elevava abruptamente, formando uma parede de água de dimensões impressionantes que percorreu mais de 24.000 quilómetros. No entanto, estas ondas não surgem por acaso. São o resultado de ventos mais fortes que colidem com vastas extensões de água, acumulando a energia da tempestade repetidamente até que as ondas atinjam tamanhos gigantescos. A maioria destas ondas gigantes costuma quebrar antes de chegar à costa, onde apenas observadores externos e alguns marinheiros podem testemunhá-las.
O que implicam estas descobertas?
A capacidade dos satélites de identificar ondas desta magnitude muda o panorama da meteorologia marítima, uma vez que agora é possível antecipar as áreas onde as ondas extremas são mais prováveis de se formar. Isto é fundamental para prever o impacto das tempestades nas zonas costeiras, alterar a rota dos navios a tempo e aprender a projetar infraestruturas mais resistentes no mar.

