Cruzeiros de 10 dias ou visitas rápidas de avião permitem conhecer esta terra austral, a sua fauna e as pesquisas científicas que ali são realizadas. Há um lugar na Terra onde o tempo pára e a infinitude é medida por icebergs de um azul irreal. É o continente do silêncio, a última fronteira das aventuras: a Antártida. Durante muito tempo, viajar para este ponto remoto parecia um privilégio acessível apenas a cientistas e expedicionários. Mas, há meio século, a Antártida começou gradualmente a abrir-se ao turismo, e os cruzeiros e expedições turísticas tornaram-se cada vez mais populares, com visitas da Argentina ou do Chile.
Assim, de acordo com o site do Ministério das Relações Exteriores da Argentina, o número de turistas cresceu de algumas centenas em meados da década de 1900 para mais de 55.000 pessoas na temporada de verão de 2018-2019. No entanto, todas as atividades humanas na região são reguladas pelo Tratado da Antártida, com o objetivo de garantir a proteção do meio ambiente, e, no caso do turismo, existe a Associação Internacional de Operadores Turísticos da Antártida (Iaato, na sigla em inglês). Foi fundada em 1991 e atualmente reúne cerca de cem empresas com o objetivo de promover viagens privadas seguras e ecologicamente responsáveis.
Devido ao crescente interesse dos viajantes por esta região, plataformas como a Civitatis, especializada em excursões e passeios, também criaram itinerários completos que convidam os viajantes a pisar o gelo eterno em passeios que não são apenas uma viagem, mas uma expedição que permite reconectar-se com a pureza elementar do planeta.

Aventura de um dia
Para aqueles que anseiam por aventuras ou querem evitar a famosa travessia marítima pelo Estreito de Drake, várias empresas oferecem voos aéreos como parte de excursões de vários dias. No caso da Civitatis, a empresa representa um feito logístico: o voo mais exclusivo do cone sul, que permite visitar o continente branco e regressar ao Chile no mesmo dia. O dia começa de manhã cedo no aeroporto de Punta Arenas, a cidade mais populosa do sul da Patagónia, de onde um voo direto de cerca de duas horas atravessa o mítico Estreito de Drake e aterra na Ilha Rei George (King George Island). Esta ilha é a maior do arquipélago das Ilhas Shetland, no sul da Antártida, e possui o maior número de bases científicas, sendo um dos principais centros de investigação e cooperação entre diferentes países.
Esta viagem à Ilha Rei George inclui uma visita a Villa Las Estrellas, pertencente ao Chile, e uma caminhada ou passeio de carro, dependendo das condições meteorológicas, pelas bases científicas, como Bellingshausen, a base antártica permanente da Rússia, que funciona durante todo o ano. Lá, os turistas podem ver parte das pesquisas realizadas. Após a visita ao centro científico, a expedição de um dia continua com uma visita à baía de Fields, onde os turistas embarcam num barco tipo «zodiac» que os leva até à ilha de Ardley, onde podem ver colónias de pinguins-papua, pinguins-barbudos e pinguins-de-adelaida. Após esta excursão dedicada a conhecer parte da fauna antártica, começa o caminho de volta. Primeiro de barco até a ilha Rey Jorge e, de lá, ao aeroporto para embarcar no voo de volta a Punta Arenas.
A excursão dura um total de cerca de 12 horas, incluindo o tempo de voo e a estadia em terra. É uma aventura curta, mas com impacto visual e emocional garantido. É importante ter em mente que, de acordo com as informações publicadas no portal Civitatis, embora a excursão à Antártida dure um dia, o passeio inclui quatro noites de hospedagem em um hotel em Punta Arenas, ou seja, quatro dias antes da partida para a Ilha Rei Jorge, pois o voo depende das condições meteorológicas. O custo deste passeio é de cerca de 6600 dólares por pessoa.

Cruzeiro para o península
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, mais de 90% das atividades turísticas na região são realizadas dessa forma, e mais de 80% do turismo de cruzeiros parte — ou chega em algum momento — do porto de Ushuaia (Argentina) entre novembro e março, com rotas que duram de dez a vinte dias. Os navios turísticos navegam principalmente na região da Península Antártica e das Ilhas Shetland do Sul, embora algumas empresas ou pacotes incluam a Geórgia do Sul e as Ilhas Malvinas. Nesta categoria, entre vários operadores turísticos, a Civitatis também oferece um cruzeiro de 10 dias pela Península Antártica. A viagem começa em Ushuaia, de onde o navio parte pelo Estreito de Beagle, antes de atravessar o Estreito de Drake e entrar no arquipélago das Ilhas Shetland do Sul.
Esta viagem é um verdadeiro deleite para os sentidos. O itinerário garante o encontro com a incrível fauna polar: pinguins, elefantes marinhos, focas e até baleias jubarte e orcas. Navegar por locais surrealistas, como a cratera submersa da Ilha Deception ou os estreitos de Gerlach e Lemar, revela paisagens que parecem não ser deste mundo. O capitão do navio escolhe as zonas mais seguras para realizar até duas desembarques por dia em barcos do tipo Zodiac, permitindo aos viajantes pisar em terra em locais emblemáticos como Paradise Bay, a colónia de pinguins de Adélia ou as ilhas Pleno e Petermann. Além disso, o regresso é amenizado por palestras de especialistas em natureza a bordo, transformando a viagem numa verdadeira expedição educativa. O preço desta aventura é de cerca de 6730 dólares por pessoa.

